Pra que serviria um tapete macio se meus pés estão cansados. Para que serviria a brisa que molha minha manhã, se não vou acordar...E pra que serve esse cheiro bom, se não vou ter aqui...
Esse cheiro de lírio, que me persegue, me toma, e toda vez que eu sinto, me arrepia a pele, como o vento sul.
Uma sensação enzimática que se aglomera no ar que respiro, e que aos poucos vai absorvendo minha manhã, minhas tardes, e a noite, enfim some.
Foi, um descuido, subitamente esqueci-me, e desmontei-me em pedaços. Perdi o controle, entrei na curva a mil por hora, ofegante e eufórica. De repente, do nada, tudo virou névoa cinza amarga. Mas o cheiro continua, e já não vejo nada. Não consigo ver...não quero ver, óbvio, a perda, a derrota. Prefiro sentir somente esse cheiro... meus pés estão cansados de caminhar, de pisar em pedras, estou cansada de tirar espinhos e cicatrizar as feridas. As marcas, o que fazer com elas? Me remexo, me debato. Então eu me devoro, me reviro do avesso, eu me engulo. Arde esse remédio, mas bom é que cure. Desejo, agora, urgente, um pensamento, qualquer que seja, para dissipar essa agonia, o vazio das minhas horas mal dormidas. Não quero mais pensar em flores e perfume, nem algo tão tosco e estupido quanto o amor. Estupito sim!
Aos poucos, vou me recompondo para continuar, sem ter medo das ameaças e do meu maior inimigo, esse cheiro. Quizaz, quizaz, quizaz....volto a subir...mas por agora quero saber onde é a parada, que eu quero descer...meus pés estão cansados...e voltam sempre ao mesmo lugar.
Aos poucos, vou me recompondo para continuar, sem ter medo das ameaças e do meu maior inimigo, esse cheiro. Quizaz, quizaz, quizaz....volto a subir...mas por agora quero saber onde é a parada, que eu quero descer...meus pés estão cansados...e voltam sempre ao mesmo lugar.

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